Finanças

O que devo saber antes de investir na previdência privada?

Publicado por Veja Notícias no dia 07/06/2021 as 11:18

A previdência privada tem sido vista como uma boa opção por aqueles que, após a Reforma da Previdência, se sentem incertos sobre o quão confortável será o seu período de descanso futuro. Isso não significa, porém, que se trate de um investimento interessante apenas para quem deseja uma segunda fonte de renda na aposentadoria.

Nem todos sabem, mas a previdência privada pode ser utilizada como reserva de emergência ou para a realização de planos mais específicos, como a compra de um imóvel ou carro, os estudos dos dependentes, um intercâmbio, etc.

Neste artigo, falaremos um pouco mais sobre como funciona a previdência privada, para quem ela é indicada e quais são os detalhes que você deve saber antes de contratá-la. Veja só:

Previdência privada: entenda melhor

Trata-se de uma aposentadoria que não está ligada ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, por isso, também é chamada de previdência complementar.

A previdência privada é interessante porque o contribuinte pode escolher o valor da contribuição, além de sua periodicidade. Nada impede que sejam feitos aportes a cada dois, três ou seis meses; é importante, porém, que o indivíduo saiba que o retorno será proporcional aos valores dados e à frequência dos aportes.

Assim, é sempre recomendado que o indivíduo deposite uma quantidade de dinheiro mensalmente em seu investimento – os valores variam de acordo com a sua disponibilidade financeira, claro, e devem dialogar com o objetivo final.

Existem dois tipos de previdência privada: PGBL e VGBL.

O primeiro é indicado para as pessoas que declaram a versão completa do IR; o segundo, por sua vez, é uma opção mais interessante para quem faz a declaração simplificada.

Quem opta pelo PGBL tem o direito de deduzir o valor dos aportes feitos até o limite de 12% de sua renda anual na hora de declarar o Imposto de Renda.

A vantagem do VGBL está em outro lugar: o Imposto de Renda, para quem opta por esse plano, incide apenas sobre a rentabilidade do investimento, e não sobre o montante completo.

Tabelas regressiva e progressiva

No que tange a questão da tributação do Imposto de Renda, existem duas formas de tributação específicas: a tabela regressiva e a tabela progressiva.

Na tributação via tabela regressiva, os aportes são tributos de forma definitiva na fonte, ou seja, não são somados à renda tributável (o que, na prática, faz com que não gerem imposto a pagar ou a restituir na declaração anual do IR).

A alíquota a ser paga depende do tempo pelo qual o dinheiro retirado do plano de previdência privada permaneceu intocado.

Por exemplo: se o dinheiro esteve investido por até 2 anos, a alíquota é de 35%; se esteve investido acima de 10 anos, por sua vez, a alíquota é de 10%. Trata-se de uma diferença muito grande, não é verdade?

A tributação progressiva, por fim, segue a mesma tabea que tributa o salário mensal dos brasileiros. Assim, a alíquota segue a seguinte base de cálculo:

  • Até R$ 1.903,98: isento de valor a pagar;
  • De R$ 1.903,99 até R$ 2.826,65: alíquota de 7,5%;
  • De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05: alíquota de 15%;
  • De R$ 3.751.06 até R$ 4.664,68: alíquota de 22,5%;
  • Acima de R$ 4.664,68: alíquota de 27,5%.

No caso de resgate, a fonte pagadora recolherá 15% de imposto, com eventuais ajustes a serem realizados na declaração anual de IR. Para simplificar a questao, podemos dizer que essa tabela age como se os resgates ou benefícios fossem, de fato, salários.

São cobradas taxas?

Sim. Existem duas: a taxa de administração financeira e a taxa de carregamento.

A taxa de administração varia de acordo com as condições comerciais do plano contratado. Ela é cobrada diariamente sobre o valor total da reserva financeira.

A taxa de carregamento está atrelada a cada aporte feito ao fundo de previdência privada. Ela, como o nome pode sugerir, é utilizada para cobrir despesas de administração e corretagem. Em geral, é uma taxa que fica em torno de 5% sobre o valor da cada aporte.

Para entender melhor como são feitas as contas e as taxas da previdência privada, é recomendado que o interessado converse com um especialista – o qual, inclusive, pode sugerir um plano de ação baseado na renda do sujeito e no seu objetivo de vida a curto e longo prazo.

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